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Liberdade no Evangelho: você pode

Uma das coisas mais valorizadas e reivindicadas em nossos dias é a liberdade. Queremos ser livres para pensar, agir, falar, para fazer nossas escolhas… mas será que estamos realmente preparados?

Muitas vezes nos acreditamos livres quando na verdade vivemos aprisionados – pelo dinheiro, pelo trabalho, por regras e convenções sociais, por crenças, rituais ou por qualquer outra coisa que nos limite em nossas ações. Nas igrejas cristãs, o que mais se vê são pessoas aprisionadas pela lei (não pode isso, não pode aquilo, não faça desse jeito, isso é pecado etc.). Alguns ficam tão preocupados em obedecer essas leis que se esquecem da graça e vivem um evangelho vazio, punitivo, cheio de proibições. Para eles, é como se Deus fosse um general severo, que vigia para castigar em qualquer deslize.

Em primeiro lugar gostaria de dizer que por mais que obedeçamos a lei, continuamos sendo pecadores. Nossa natureza humana é falha e não há nada que possamos fazer para alcançar o merecimento da graça de Deus sobre nós. Nada que eu faça de bom me torna menos pecadora ou melhor que os outros. É Paulo quem nos ensina na carta aos Efésios: “Pois é pela graça que vocês são salvos, mediante a fé em Cristo. Isso não vem de vocês mesmos, é uma dádiva de Deus. A salvação não é uma recompensa pelo bem que fizemos, portanto nenhum de nós tem mérito nisso.” (Ef. 2:8-9).

Em segundo lugar, o que Jesus nos propõe é liberdade. Está lá em Gálatas: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl. 5:1). A proposta dele é tão revolucionária que muitas vezes nós mesmos não acreditamos! Ao curar num sábado, Jesus transgrediu a lei para nos ensinar que a vida está acima dela (Mc. 3:1-5). Ao conversar com a samaritana (Jo 4:1-26), ele ignorou a convenção moral da época que dizia que um homem não podia conversar sozinho com uma mulher, ignorou a rivalidade entre judeus e samaritanos e ignorou o preconceito da sociedade em relação àquela cuja vida era considerada promíscua. Jesus entrou na casa de fariseus (Lc 7:36), acolheu prostitutas (Lc 7:37-50), entrou em contato com leprosos (Lc 5:12-13), recebeu crianças (Mt. 19:13-14), frequentou festas (Jo 2:1-11). Em Lucas 7:33-35, ele se compara a João Batista e chega a admitir que o seu comportamento não era o esperado por uma sociedade cheia de regras e imposições. Se Jesus fosse um homem aprisionado pela lei, não faria nada disso. Mas fez. Fez para nos ensinar sobre a liberdade que ele tem para nos oferecer, que é algo tão grandioso que nós não sabemos lidar com ela.

A maior prova de que não sabemos ser livres é a quantidade de regras que existem no meio cristão. O Evangelho liberta, mas paradoxalmente muitas igrejas criam prisões em torno dele. E a gente ouve por aí uma série de regulamentações absurdas, sem fundamento bíblico, que vão se acumulando umas sobre as outras e transformam o Evangelho em algo distante e difícil de ser seguido, quando na verdade ele é muito simples e libertador! No entanto, me parece que essas leis são necessárias para garantir o destaque e a visibilidade de alguns, que através delas se tornam ídolos em determinados meios. Quanto mais dura a lei que se impõe, mais aclamados são aqueles que a seguem (ou fingem seguir). É o farisaísmo moderno.

Infelizmente muitos crentes não conseguem sair debaixo desse manto pesado de regras impostas por homens. Mas viver tentando obedecê-las significa que estamos mais preocupados em parecer do que em ser servos de Cristo, mais preocupados com a forma do que com o conteúdo. Mas Jesus quer o nosso coração. Ele sabe que não conseguimos obedecer toda a lei porque somos fracos e pecadores. Reconheça isso, aceite e desfrute da liberdade que Cristo quer te dar: “Levem o meu jugo e deixem que eu lhes ensine; porque eu sou manso e humilde de coração e vocês acharão descanso para suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mt. 11:29-30).

Onde tem o Espírito do Senhor, tem liberdade (2 Co 3:17). Mas não uma liberdade permissiva. Jesus nos convida a sermos livres com responsabilidade, de modo que a nossa liberdade não seja um escândalo para os mais fracos (1 Co 8:9). Renato Russo cantou que “disciplina é liberdade”, mas Paulo já falava isso quando dizia que “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Posso todas as coisas, mas não me deixarei dominar por nenhuma delas.” (1 Co 6:12). Isso é disciplina. Isso é liberdade.

Mas como saber até aonde posso ir com a minha liberdade? Jesus nos dá a dica de que o amor é a medida: “façam aos outros aquilo que vocês querem que eles façam a vocês” (Mt. 7:12). Paulo também nos aconselha a obedecer ao Espírito Santo. “Ele lhes dirá aonde ir e o que fazer, e assim vocês não estarão sempre satisfazendo os desejos da natureza pecaminosa” (Gl 5:16). Busque o amor e o Espírito Santo de Deus e liberte-se. Se somos guiados pelo Espírito, não estamos mais debaixo da lei (Gl 5:18). Portanto, não precisamos mais viver aprisionados.

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