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A igreja ainda é necessária?

Apesar da polêmica que essa questão suscita entre os evangélicos e das inúmeras críticas que faço aqui no TMnI, acredito que sim, que a igreja continua sendo necessária.

Como igreja entendo as pessoas que a integram, a parte humana, que ouve o chamado de Deus, chora, se arrepende e entrega sua vida a Ele. A igreja sou eu, é você e são todos os que se colocam à disposição do Senhor para seguir Seus ensinamentos e fazer a Sua vontade. A igreja, portanto, não é o templo, não é a denominação, não é a religião. A igreja é viva e está onde estão os seus membros.

Dito isto, acredito que é na igreja que aprendemos a ser cristãos. É nela que exercemos a nossa capacidade de conviver e respeitar as diferenças, de ser solidários, de ensinar, de aprender, de compartilhar experiências, de discutir e conhecer mais da Palavra. A igreja é a sala de aula e o laboratório de Deus, é onde Ele nos ensina e nos coloca para praticar o que foi ensinado.

A igreja também é lugar de libertação e cura. É onde Deus usa pessoas para nos ajudar a superar nossas dificuldades. É onde podemos encontrar apoio e acolhimento sem julgamentos. A igreja é um instrumento poderoso de Deus para mudar as nossas vidas e aproximar-nos dEle.

O potencial que a igreja tem para interferir na realidade social e na vida dos indivíduos é algo sobrenatural, que foi concedido por Deus para que possamos fazer o bem. É uma pena estar sendo tão mau utilizado pelos homens.

Portanto, se alguém me pergunta se eu acredito na importância da igreja, eu digo que sim, pois já vi e vivenciei dentro dela experiências maravilhosas, que me aproximaram de Deus, as quais nunca poderia ter conhecido se estivesse fora. No entanto, entendo quando muitos crentes se afastam e preferem não congregar em função de traumas que vivenciaram ali, causados pela falta de sabedoria das pessoas que a integram. É doloroso ver quando alguém se afasta de um projeto grandioso do Criador por causa da criatura. E mais doloroso ainda é saber que o número de pessoas que têm se afastado só cresce nos últimos anos.

Quanto a esse fenômeno, acredito que a solução só vem com muito esforço dos dois lados: de um lado, acho que está na hora da igreja parar para repensar seu modo de agir. Está na hora de “atualizar o sistema”, de rever posicionamentos. O projeto é bom, mas de vez em quando faz-se necessário alguns ajustes para que não se torne obsoleto, engessado, distante da realidade. O que Jesus fez em sua passagem pela Terra foi dar mostras de que a igreja deve estar próxima das pessoas reais, ou seja, dos pecadores. Portanto, é isso que não podemos perder de vista. A igreja não é lugar de pessoas perfeitas. Como disse Jesus, “os doentes é que precisam de médicos” (Mc. 2:17).

 Por outro lado, acho que nós, enquanto membros, devemos ter em mente que a igreja é feita por homens e mulheres imperfeitos, portanto, nunca será perfeita. O que nos diferencia do mundo lá fora é a nossa consciência de que somos falhos e a nossa busca incessante pelo aperfeiçoamento, ou seja, pela santificação. Erramos, reconhecemos, pedimos perdão e prosseguimos, tentando não errar mais. Logo, por mais bem intencionada que seja, a igreja sempre cometerá erros e cabe a nós ajudar nesse processo de aperfeiçoamento, focando sempre no que realmente importa: Jesus. Ele é o motivo de estarmos vivendo em igreja, e não o pastor, o bispo ou qualquer outro líder ou membro.

A igreja pode ser uma bênção na vida de qualquer pessoa e mudar a sua história para melhor. No entanto, se não tivermos cuidado, ela pode se tornar uma maldição e aprisionar muitos. Tenhamos sempre em mente a responsabilidade de sermos igreja. Peçamos sabedoria a Deus para agir da forma como Ele quer, e não da forma que queremos, para que assim possamos agregar, e não afastar.

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