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A mulher deve ser submissa. E o homem?

É engraçado como a gente passa uma vida inteira escutando pregações sobre o dever de submissão da mulher no casamento. Esse é um assunto recorrente nos púlpitos das igrejas e principalmente nos ministérios de casais e de mulheres. Parece que há uma preocupação muito grande em assegurar a nossa submissão, não é?

Mas é também engraçado como a gente quase não ouve falar do papel do homem no casamento. Na carta aos Efésios, Paulo ensina que os homens devem amar as mulheres assim como Cristo amou a igreja. E como foi que Cristo amou a igreja mesmo? Ah, sim: morrendo por ela.

Muitas igrejas fazem recortes da Bíblia e só pregam aquilo que lhes convém. E o que lhes convém, infelizmente, ainda é manter o controle sobre as mulheres, principalmente quando se trata da sua vida sexual e conjugal. Para muitos pastores e líderes, não interessa ensinar qual é a parte que cabe aos homens no casamento. Interessa ensinar que as mulheres têm que ser submissas e ponto. E essa doutrina unilateral fica ecoando dentro dos templos, como se fosse um mantra que todas nós devemos aprender e praticar, enquanto que para os homens parece não haver muitas obrigações. Só que não é bem assim.

Antes de falar da submissão da mulher, Paulo fala que devemos honrar a Cristo submetendo-nos uns aos outros (Efésios 5:21). Portanto, ele começa o seu discurso ensinando que a submissão deve ser de todos para todos, deixando implícito que devemos estar sempre dispostos a servir ao outro, muitas vezes renunciando a nós mesmos.

Em seguida, em Efésios 5:22-24, Paulo fala, sim, que a mulher deve ser submissa ao seu marido. Mas logo após, nos versos de 25 a 32, ele também fala das obrigações do marido, que são três: a primeira é amar sua esposa como Cristo amou a igreja, se entregando por ela. Isso significa que esse amor deve ser incondicional, a ponto de o marido ter que morrer por sua esposa se necessário for (literalmente falando, já que Cristo, de fato, morreu pela Igreja). A segunda é a responsabilidade que ele tem com a santificação e a purificação da esposa, para que ela se apresente gloriosa e sem mácula, assim como Cristo fez com a igreja. Isso quer dizer que o marido deve ter atitudes que contribuam para uma vida de santidade da sua esposa, ou seja: deve ter respeito, cuidado e, acima de tudo, dar um bom exemplo. E a terceira obrigação, que é uma espécie de reforço das duas primeiras, é a de amar sua esposa como ama o seu próprio corpo. Paulo afirma que “ninguém jamais odiou o seu próprio corpo, mas cuida dele com todo amor, tal como Cristo cuida do seu corpo, a igreja” (v.29). Em resumo: marido, ame e cuide da sua esposa como se fosse você. Será que a igreja tem preparado seus homens para agir desta forma? Quantas vezes você já ouviu uma pregação destas? Eu, particularmente, nunca ouvi.

Então é isso: enquanto exigirmos a submissão do outro e não a exercermos nós mesmos; enquanto estivermos sobrecarregando as mulheres de obrigações dentro e fora do casamento; enquanto reforçarmos o discurso de que a submissão da mulher implica na sua anulação enquanto ser humano e na sua total sujeição às vontades do seu marido; enquanto colocarmos exclusivamente sobre a mulher a responsabilidade pelo sucesso do seu casamento com o argumento de que “a mulher sábia edifica o seu lar”; e enquanto deixarmos o homem na confortável posição de ser apenas o recebedor do trabalho da mulher, sem mostrar-lhe que ele também tem sua carga de responsabilidade, todos os esforços para a manutenção da família serão em vão. Não há felicidade conjugal nem equilíbrio familiar que resista a uma mulher sobrecarregada e controlada, cheia de deveres, e um homem omisso e controlador, cheio de direitos. Não foi isso que Jesus ensinou nem é disso que a Bíblia fala.

Para finalizar, é importante deixar claro que a submissão das mulheres significa “estar sob a mesma missão” do seu marido, isto é, ter o mesmo propósito de vida que ele, os mesmos objetivos, ser sua ajudadora. Também implica em respeito, pois é o que Paulo diz em Efésios 5:33 (“a esposa deve respeitar seu marido”). Ao afirmar que a mulher deve seguir a orientação do marido assim como a igreja segue a orientação de Cristo, nos versos 22 e 23, Paulo parte do pressuposto de que o marido age com a esposa tal qual Cristo age com a igreja: zelando por ela, cuidando dela, protegendo-a e respeitando-a. Assim deve ser no casamento. Um ama, cuida, zela, protege e dá exemplo; a outra segue e respeita. Se apenas um faz a sua parte, não tem como dar certo.




1 Comentário

  1. Roger Freitas disse:

    Texto extremamente pertinente. Parabéns! Por favor, continuem.
    Só um adendo, no versículo 32 do capítulo 5 de efésios, não é “ministério”, mas sim “mistério”. De fato o casamento é um ministério, a premissa que você propõe é super correta, mas não especificamente baseada nesse texto.
    Vou acompanhar sempre vocês, amei os temas propostos e a abordagem que vi até agora!! Já estou seguindo mo Facebook. Continuem nos ensinando, quero continuar aprendendo com esse site.

    Um grande abraço!

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